Pedras para estrangeiro ver

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Pedras para estrangeiro ver



Novo roteiro turístico, que será lançado em junho, vai atrair visitantes de outros países para o Vale do Taquari

O dia 18 de junho será um marco para a produção de pedras preciosas e o turismo da região. Nessa data será lançado, em São Paulo, o Roteiro das Gemas e das Jóias do Rio Grande do Sul, durante o Salão Brasileiro de Turismo. O projeto, que integra sete municípios gaúchos, abrange duas cidades do Vale em que o setor representa um importante segmento da economia: Lajeado e Estrela. Ao misturar o turismo com os quartzos, ametistas e ágatas de fogo, a iniciativa, que já despertou o interesse das agências de turismo, visa atrair o turista estrangeiro – considerado um grande comprador de pedras preciosas.

Ainda em fase de estruturação, o roteiro é discutido por uma série de entidades. Segundo a coordenadora regional do Sistema de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Liane Klein, os empreendedores envolvidos passarão por uma capacitação especial de gestão, visando acolher os turistas estrangeiros. As empresas incluídas passarão por melhorias. Ela conta que, em cada uma das cidades envolvidas, foram feitas visitas técnicas para avaliação, não apenas do potencial das pedras, mas também dos aspectos culturais, gastronômicos e de infra-estrutura disponíveis. Conforme o diagnóstico, em vários desses municípios as gemas e jóias possuem grande potencial de associação com as atividades turísticas. “Alguns empreendimentos serão envolvidos diretamente, mas também haverá os atrativos que nossas cidades possuem, como o Parque Histórico e o Jardim Botânico de Lajeado, por exemplo”, cita Liane. Para ela, haverá um impacto positivo na economia regional, por envolver uma cadeia produtiva. “O foco são os produtos de pedra. Se tivermos artesanato voltado a esse setor, ele irá se beneficiar”, explica.

Mesmo sem o roteiro definido, o folder do projeto já está em processo de criação. Em português e inglês, visando atrair pessoas de outros países, ele será distribuído pelo Instituto Brasileiro de Gemas e Metais Preciosos (IBGM). A entidade promete fazer a divulgação do roteiro fora do Brasil. O consultor Marcelo Soares afirma que o projeto será apresentado em pelo menos 20 feiras internacionais, incluindo Estados Unidos, França, Itália e Emirados Árabes. Para ele, que esteve no Vale do Taquari em dezembro, o interesse de agências de viagens demonstra o grande potencial a ser explorado na região. “O que estamos vendo é um roteiro tão interessante e tão efetivo que as principais agências de turismo de Porto Alegre manifestaram interesse em participar comercializando o produto turístico”, informa.

No Caso de Lajeado e Estrela, ele aponta as atrações históricas que esses municípios irão proporcionar aos turistas, maior conhecimento sobre as etnias e as culturas visitadas.

Prioridade

O secretário estadual de Turismo, Heitor Gularte, garantiu que o Roteiro das Gemas e das Jóias é uma das prioridades de sua pasta. Na semana passada, em audiência com representantes dos sete municípios, ele destacou o apoio ao projeto. “Buscaremos parcerias com universidades e com instituições como o Sebrae, que já é um dos apoiadores do projeto, para consolidação do roteiro, que poderá ser lançado, sendo um dos atrativos gaúchos durante o Salão Brasileiro do Turismo”, afirmou. Além dessas instituições, o programa conta com a participação da Univates, prefeituras e Associação dos Municípios de Turismo do Vale do Taquari (Amturvales). O presidente da entidade, Rafael Fontana, explica que esse e outro roteiro, o da Erva-Mate, se juntarão aos dois já existentes na região: Delícias da Colônia (Estrela) e Rota Germânica (Teutônia).

Que venham os turistas

De olho nos turistas estrangeiros, o presidente da Cooperativa de Pedras Preciosas (Coopedras), João Gilberto Werle, já pensa nas adaptações que terá de fazer para integrar o Roteiro de Gemas e Jóias. Animado com a criação da rota turística, ele pretende implantar algumas melhorias na loja, situada às margens da BR-386, próximo do trevo de acesso a Estrela. Entre elas está a correção do acesso – ônibus de excursões têm dificuldade em chegar ao local – e a criação de um espaço para que os turistas possam acompanhar o beneficiamento das pedras. “As pessoas querem ver como é o processo de fabricação, principalmente quem vem de outras cidades”, justifica. “Depois eles entram na loja e não acham nada caro”, completa Werle.

A Coopedras integra o roteiro Delícias da Colônia, criado em 2003. Sua principal clientela é formada pelos grupos da melhor idade que fazem excursões pela região. Com a criação de uma rota específica para gemas e jóias, Werle prevê um incremento nas vendas e visitas de turistas. “Os estrangeiros compram muitas pedras. Será uma boa para nós”, aposta ele, que já recebeu um grupo de turistas franceses na loja. “A rota vai agregar bem mais e agregar valor à nossa produção.”

Formada em 2004 por um grupo de 12 trabalhadores, a Coopedras deixará de ser uma cooperativa em breve. O motivo é a cobrança do Imposto sobre Circulação de Mercadorias (ICM), que forçou a direção a adequá-la como empresa. Mas, segundo Werle, nada irá mudar na prática.

By |2008-04-09T00:00:00-03:00abril 9th, 2008|Sem categoria|Comentários desativados em Pedras para estrangeiro ver

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