Pão: O mais simbólico e democrático dos alimentos

///Pão: O mais simbólico e democrático dos alimentos

Pão: O mais simbólico e democrático dos alimentos



Por Vinícius Flôres

Comerás o teu pão com o suor do teu rosto,

até que voltes à terra de que foste tirado;

por que és pó, e pó te hás de tornar.

Gênesis 3,19

Talvez há 14.000 anos atrás os persas não imaginariam a importância que aquela massa, surgida juntamente com o cultivo do trigo, pudesse ter milênios depois. Da Mesopotâmia para os quatros cantos do planeta, fazendo do pão hoje o mais simbólico e democrático dos alimentos, motivo o qual este dia é dedicado a ele.

Embora tenha surgido num período em que ainda era preciso caçar para comer, só 7.000 anos depois que o primeiro pão foi assado em forno de barro. O fato ocorreu no Egito e, também na terra das Pirâmides, 4.000 anos depois, descobrem o seu principal segredo: o fermento.

Pelo pão, o mercador vai longe, altas horas.

Pelo pão, de porta em porta vai o pedinte.

Pelo pão, o marinheiro engole o sal do mar.

Mundo acima, mundo abaixo – assim houvesse pão que nos bastasse.

Poema hindu

Presente em vários fatos importantes da nossa história, o pão une mundos, até então, adversos. Da Revolução Comunista, comandada pelo Partido Bolchevique de Lênin, onde o lema era Pão, Paz e Terra; ao McDonalds, um dos maiores símbolos capitalistas do Tio Sam.

Acima de todos preceitos e preconceitos, de visões políticas, religiosas e financeiras, o pão faz parte de todas as culturas. Na Polônia, há o pão de aniversário. Na Mongólia, o pão nupcial. Na Grécia, o pão da mulher parida. O pão de viagem. De Santos e de mortos. O Pão triste, pão de natal, de hambúrguer.

Da Antigüidade Clássica…

O pão também teve sua história na Grécia e em Roma.

Na Grécia ocorreu na mesma época que no Egito, já em Roma foi bem mais tarde (800 anos a.C.), porém com grande importância. Em ambos os casos, o pão esteve presente não só no dia-a-dia da sociedade, mas também dentro das suas mitologias e religiosidades.

Foi em Roma, por volta de 500 a.C. que foi criada a primeira escola para padeiros, tendo se tornado o principal alimento daquela civilização preparado em padarias públicas.

Pode-se dizer que, com a expansão do Império Romano, o hábito de consumir pão foi difundido por grande parte da Europa.

…À idade moderna

No século XVII, a França torna-se um destaque mundial na fabricação de pães, desenvolvendo técnicas aprimoradas de panificação.

O aparecimento da máquina ocorre somente no século XIX, com amassadeiras (hidráulicas ou manuais), com um custo muito alto e também com grande rejeição. Os consumidores mostraram-se ?hostis? com o pão feito mecanicamente. Pouco tempo depois surge o motor elétrico e a reclamação passa a ser dos padeiros. Cada máquina substituía dois padeiros.

Hoje o trigo e outros cereais são tratados em moinhos, lavado, escorrido e passado por cilíndricos que separam o grão da casca.

Moinhos italianos em terras tupiniquins

Fugindo das misérias e perseguições políticas, homens deixam suas casas, a paisagem familiar e o cemitério onde dormem os avós.

Cheios de esperança num futuro melhor, conhecerão outras estrelas, outros costumes. Construirão outras casas, criarão outras paisagens e enterrarão seus mortos noutros cemitérios.

Roger Bastide

Vindos principalmente da região do Veneto, Itália, milhares de homens, mulheres e crianças, atravessaram o oceano Atlântico e chegaram ao Brasil. Com muita persistência, apesar das adversidades, traziam a esperança de um mundo melhor.

De herança do velho mundo trouxeram, além da sua rica cultura, a técnica de construir moinhos, instalações destinadas à pulverização de materiais brutos, em especial grãos de trigo ou de outros cereais.

Com a chegada dos novos tempos, os antigos moinhos foram aos poucos perdendo sua utilidade perto das novas tecnologias, sendo muitos desativados e deixados à mercê do tempo.

Eu defenderei até a morte o novo

por causa do antigo e até a vida o

antigo por causa do novo. O antigo

que foi novo é tão novo como o

mais novo.

Augusto de Campos (Verso, reverso, contraverso)

Em Ilópolis, através de uma idéia vinda de Judith Cortesão, com apoio da Fundação Nestlé Brasil e Governo do Estado, foi restaurado o Moinho Colognese, edificação de quase um século de existência. Foi construído, junto ao Moinho, a Oficina de Panificação, inaugurada em setembro deste ano, e o Museu do Pão, pioneiro nas Américas, o qual conta toda a história do alimento, nos seus mais diversos processos.

Construído em 1917, aproximadamente data em que os primeiros italianos chegaram naquela região, o moinho atrai hoje turistas não só do nosso Estado, mas também de outras regiões do país e até de outros continentes, como o Japão, segundo Vanesa do Gito, recepcionista do Museu do Pão e Moinho Colognese.

Junto com este resgate da imigração italiana no Rio Grande do Sul, surge o Caminho dos Moinhos, que desperta a consciência para a preservação dos bens históricos, arquitetônicos e paisagísticos da região Alta do Vale Taquari.

O Caminho dos Moinhos conta com 6 moinhos, localizados em Putinga, Ilópolis, Anta Gorda e Arvorezinha, onde fica o Moinho Castaman, o próximo a ser restaurado.

“O restauro do Moinho Colognese e a construção do Museu do Pão e Oficina de Panificação em Ilópolis são modelos para o desenvolvimento do complexo turístico Caminho dos Moinhos”, afirma João Dornellas, presidente da Fundação Nestlé Brasil.

A visitação do Museu do Pão e Moinho Colognese é feita de forma gratuita, com agendamento prévio com a prefeitura municipal de Ilópolis.

Nos dias 5 e 6 de novembro, na Oficina de Panificação, acontecerá o curso de Pizza e Canelones, para 20 pessoas, com custo de R$ 20,00. A realização é em parceria com a Emater e Prefeitura Municipal. O aluno ganha, além de todo o material necessário, apostilas para as aulas teóricas e práticas.

By |2008-10-16T00:00:00-03:00outubro 16th, 2008|Sem categoria|Comentários desativados em Pão: O mais simbólico e democrático dos alimentos

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